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De um lado a arte, do outro o vinho. É assim no Aliança Underground Museum, o museu criado por Joe Berardo nas tradicionais caves da Aliança, em Anadia. São sete colecções de arte que convivem agora em perfeita harmonia com o espumante, o vinho e a água aguardente em cerca de quilómetro e meio de túneis. A entrada é gratuita.
On one hand the art, on another wine. Thus the Alliance Underground Museum, the museum created by Joe Berardo in traditional cellars of Aliança, in Anadia. There are seven art collections, now living in perfect harmony with the sparkling wine and brandy in water about a mile of tunnels. Admission is free.
Elas já eram bonitas. Na verdade, inesquecíveis, especialmente o túnel serpenteado e estreito de espumante. Agora são mais ainda mais apetecíveis graças à vontade de juntar arte e vinho de Joe Berardo. O Comendador, proprietário da Aliança, transformou as tradicionais caves num museu e chamou-lhe Aliança Underground Museum, numa alusão a uma viagem por uma rede de metro. O vinho, o espumante e a aguardente continuam lá, mas convivem agora lado a lado com sete colecções de arte da Colecção Berardo.
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África
São as colecções de arte, quem primeiro surge quando se começa a percorrer as caves da Aliança. A Colecção Arqueológica, encontrada no Níger em 1975, é a primeira das sete e a primeira de três dedicadas a África – além desta, há também a Colecção de Escultura Contemporânea do Zimbabué e a Colecção de Etnografia Africana. A Arqueológica tem 1500 anos e pertenceu à cultura Bura-Asinda-Sika, já extinta. O mais interessante desta colecção milenária é que as peças eram utilizadas em funerais, dando para perceber que as campas da altura diferenciavam homens e mulheres – as dos homens tinham peças com formato fálico, as das mulheres e crianças eram mais pequenas.
Da Colecção Arqueológica à Colecção de Etnografia Africana é um passo. Produzidas por várias culturas, há máscaras nesta colecção, símbolos de fertilidade, das cerimónias de emancipação, existem colares usados pelas mulheres casadas na Nigéria e até uma coroa de pêndulos que os chefes das tribos usavam em público para se protegerem do mau-olhado. É uma exposição carregada de simbolismo e de crenças. Terminada a visita a esta colecção, descem-se umas escadas e entra-se na cave propriamente dita (não se esqueça de levar um casaco porque a temperatura vai descer). Lá em baixo a viagem por África continua com a Colecção de Esculturas do Zimbabué. Feitas em pedra, essencialmente de serpentinito, as esculturas representam essencialmente animais, como pássaros e rãs, e cabeças de homens. Parte das peças desta colecção estão no Museu Monte Palace, também de Joe Berardo, na Madeira.
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Explosão de cores e brilhos
Deixa-se a serpentinite e entra-se numa das partes visualmente mais bonitas desta visita. A Colecção de Minerais é uma explosão de cores e brilhos de pedras semi-preciosas de diferentes formas, tamanhos e texturas. Há quartzo, cristal de quartzo, quartzo fumado, ametista, malaquite, azurite, estalactite, pirite. Tudo em tamanho grande, majestoso. É difícil deixar os minerais, mas vale a pena, porque logo a seguir espera-nos uma Colecção de Fósseis com cerca de 20 milhões de anos. Uma parte considerável da mostra é constituída por madeira petrificada. Pela forma acredita-se que se tratava de antigas árvores que se transformaram agora em pedra. A outra parte desta colecção tem fósseis relacionados com o mar: há conchas, vários peixes, uma cabeça de crocodilo e até dentes de tubarão. Um pouco mais à frente fica a Colecção de Azulejos – é de Berardo a maior colecção privada de azulejos em Portugal. Na exposição há fragmentos de azulejos do século XVII e XVIII e há outros já do século XX. A maioria são portugueses, mas há também exemplares de outros países, nomeadamente de França. Alguns estão relacionados com a colheita do vinho, casando na perfeição no ambiente cave em que se inserem.
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Rosa
Aliás, é logo a seguir à Colecção de Azulejos que se encontra uma das partes mais bonitas das caves Aliança, o pink room, que tal como o nome indica é cor-de-rosa. Deve a sua cor ao quartzo rosa que forra uma das paredes e que pertence à Colecção de Minerais de Berardo e ao espumante rosé que preenche a parede em frente, e que está a passar pelo período de fermentação até adquirir a cor desejada. Não parecem exposições distintas, mas uma só, como se o lugar do quartzo e do espumante sempre tivesse sido ali, lado a lado, a apreciarem-se mutuamente.
O espumante vai continuar pelo famoso e bonito túnel da Aliança. “O objectivo é que as pessoas se sintam a entrar num metro. Há este túnel, há as caves subterrâneas e temos paragens como se fossem estações de metro, com o nome das nossas quintas: Bairrada, Dão, Beiras, Alentejo”, afirma Luciana Sardo, relações públicas do Aliança Underground Museum. O caminho pelo túnel é feito devagar, silenciosamente, ao som de uma música que vai tocando em quase todas as partes das caves da Aliança. No final do túnel havemos de encontrar a última das sete colecções de Berardo, a Colecção de Faianças das Caldas da Raínha, maioritariamente de Bordalo Pinheiro. “Antes de ser um ceramista, Bordalo Pinheiro foi durante muito tempo jornalista, cartoonista, crítico da sociedade e um defensor dos que sofriam às mãos do poder político”, esclarece Luciana Sardo. A sua fase de ceramista reflecte esta sua preocupação com a proximidade às pessoas. As suas peças são de cariz decorativo e incluem motivos animais e vegetais.
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Jantar na Cave de Aguardente
Enquanto se apreciam as peças de Bordalo Pinheiro, vão-se ouvindo pessoas que trabalham na sala ao lado, a do Degorgement, que é o mesmo que dizer a sala onde se removem os sedimentos de leveduras que foram introduzidos dentro de uma garrafa de espumante para provocar uma segunda fermentação. O processo é explicado e os visitantes podem assistir aos trabalhos, como acontece aliás com todo o restante trabalho feito nas caves da Aliança. E não há choques entre este trabalho vínico e a arte em exposição. Antes comunhão.
Mais adiante a zona por excelência do vinho, onde ele estagia em cerca de mil barricas de cascos de carvalho francês, americano e russo. É neste espaço que se espreita a cave de aguardente, uma das maiores em Portugal, com cerca de 3.600 barricas com uma capacidade para um milhão de litros de aguardente. “As pessoas ficam deslumbradas com a beleza da cave – já ficavam, mas agora com estas exposições ainda mais”, garante Luciana Sardo. Um dos momentos altos deste deslumbramento acontece quando se entra na cave de aguardente, iluminada por lustres magníficos vindos do Hotel Savoia, na Madeira, que foi demolido. É tão bonita que apetece ficar por lá algum tempo. Os proprietários da Aliança previram esse desejo e colocaram uma mesa com capacidade para 20 pessoas, onde é possível almoçar, jantar e fazer degustações. Um almoço ou um jantar custa 35 euros por pessoa (se forem 20 pessoas; caso sejam menos, ter-se-á que pagar pelas 20) e inclui uma visita ao museu e uma refeição composta por Arroz de Cabidela de Leitão seguido de Leitão à Bairrada e uma sobremesa. Os pratos são acompanhados por diferentes vinhos e espumantes da Aliança e no final é servida uma aguardente extraída daquela cave. Caso não se goste de leitão, será servido um outro prato de acordo com as preferências dos visitantes. Depois da passagem pela cave de aguardente, há ainda a oportunidade de visitar as outras salas de provas que a Aliança tem e termina-se na loja, onde é servido, gratuitamente, um vinho ou espumante da casa para prova. De referir que a visita ao Aliança Underground Museum é gratuita e acompanhada por um guia. A única coisa que terá que pagar é o vinho ou o espumante que comprar no final, caso queira levar uma recordação deste casamento perfeito entre arte e vinho para casa.
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