Margarida Pinto Correia, Fundação do Gil: “Este é um projecto sem fim” Imprimir e-mail
Escrito por Alexandra Moura   
07-Mai-2007

 

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Margarida Pinto Correia confessa ter ficado assustada quando a convidaram para dirigir a Fundação do Gil, pois tinha “medo de falhar”. Passados mais de três anos, já não se consegue ver longe da fundação, tirando partido da sua visibilidade pública para conseguir todo o tipo de apoios para as crianças presas há muito na cama de um hospital.

Margarida Pinto Correia. Há uns anos atrás era conhecida como a pivot do jornal da noite da RTP. Hoje, considera-se uma “mulher polivalente”, capaz de fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Com participação activa em diversos projectos de televisão, rádio, cinema e teatro, Margarida afirma que, actualmente, a sua principal função é a de administradora-executiva da Fundação do Gil.Embora não goste da expressão por achá-la “extremamente pomposa”, a profissional defende que desde que aceitou gerir a Fundação do Gil, em Outubro de 2003, ficou muito claro que “este seria um projecto sem fim”, sobretudo porque “a necessidade de ajudar estas crianças é muito grande, havendo sempre milhares de coisas por fazer”.Embora a princípio tenha sentido algum receio em aceitar o desafio, dado que “é muito diferente falhar na escrita de um texto ou nas audiências de um programa, do que falhar na vida de uma criança”, rapidamente verificou que era desta forma que poderia tirar algum partido da sua “visibilidade pública” para ajudar os outros. Na verdade, este sempre foi um dos grandes fundamentos da sua vida. Aliás, a sua disponibilidade para ajudar os outros já vinha de trás: fazia acções esporádicas enquanto voluntária como contadora de histórias.O apoio da família foi sempre notório. Relembra que, na altura em assumiu a direcção da Fundação do Gil, uma das suas irmãs sublinhou a grandiosidade da sua nova função: “Que inveja, vais passar a fazer algo tão bom e gratificante e, ainda por cima, pagam-te para isso”.Admitindo que a Fundação do Gil é uma das suas grandes paixões e até um excelente bom vício, Margarida Pinto Correia deixou presente que, mesmo assim, necessita de ter alguns “balões de ar” exteriores para que se sinta bem consigo própria. “Depois de algum tempo a dedicar-me, única e exclusivamente, à fundação comecei a ficar sem ar e senti necessidade de começar novamente a fazer algumas reportagens esporádicas, pequenas intervenções em teatro, televisão e cinema”, proferiu. “Sentia saudades de ser aquilo a que estava habituada e isso não era nada positivo para a fundação nem para mim enquanto ser humano, com gostos e necessidades distintos”, acrescentou. 

 

O problema do internamento prolongado de crianças

Constituída em 1999, a Fundação do Gil surgiu para capitalizar a mascote da Expo’98. Também porque a direcção da exposição internacional se confrontou com a dura realidade do internamento prolongado dos mais novos.“A nossa função é tentar apoiar crianças que estiveram demasiado tempo internadas e que necessitam de uma nova socialização com as suas famílias antes de regressarem novamente a casa”, explicou Margarida. Este apoio é prestado tanto nos hospitais, como na Casa do Gil ou através de uma Unidade Móvel de Apoio ao Domicílio (UMAD). No que respeita aos hospitais, a Fundação do Gil chega a 24 unidades, incluindo o Funchal, com acções semanais de música e contadores de histórias, ajudando as educadoras no desenvolvimento educacional e relacional das crianças.Por seu turno a UMAD, que foi criada a pedido do Hospital de Santa Maria, permitiu que muitas crianças voltassem para casa, tendo um acompanhamento constante e profissional, diário ou semanal, sem necessitarem de estar deitadas numa cama de hospital. No entanto, Margarida frisou que “a unidade móvel, embora seja destinada, sobretudo, a doentes do Hospital de Santa Maria, chega também a outros casos”.Ainda que a fundação conte com algum voluntariado, realizado por actores, cantores, músicos, entre outros, a apresentadora assegura que não podem viver em função destes, já que as suas vidas têm bastantes condicionantes, o que os faz desmarcar muitas coisas à última da hora. “Não podemos deixar que tal aconteça porque as crianças estão à nossa espera, a contar connosco, e não podemos, de forma alguma, desiludi-las”, defende. Desta forma, a acção de voluntariado da Fundação do Gil passa apenas pelos contadores de histórias, pois são os únicos que “não precisam de formação especial”. Contudo, por outro lado, a responsável conta que “não é fácil trabalhar com voluntários”, pois essa falta de formação fá-los seguirem mais “os sentimentos, deixando-se abater com mais facilidade perante alguns dos casos de doenças infantis com que se deparam”. 

 

Casa do Gil acolhe crianças com projecto viável de vida

A Casa do Gil tem, neste momento, 14 crianças internadas, embora a sua capacidade seja de 16, ao todo. Além disso, conta ainda com lugar para quatro pais, para que estes “possam voltar a aproximar-se dos seus filhos e prender a reviver com eles nesta nova fase das suas vidas”, diz Margarida Pinto Correia.A Casa do Gil, apesar de estar sedeada em Lisboa, funciona para o país inteiro, acolhendo crianças de Norte a Sul e até mesmo das ilhas. As crianças que lhe chegam vêm sempre através do hospital. Porém, a Fundação do Gil somente acolhe crianças que tenham um projecto de vida viável. “Um menino que tenha uma doença crónica e que necessite de cuidados clínicos constantes, não podendo, de forma alguma, ser tratado em casa, não poderá ficar connosco, porque não é um processo transitório, que reencaminhamos para as famílias ao final de algum tempo”, aclarou a também escritora.Para fazer face à falta de Centros de Acolhimento de Cuidados Continuados de Saúde, Margarida adiantou que é objectivo da Fundação do Gil avançar com um projecto especializado nessa vertente. Embora ainda não haja nenhum em concreto, Loures, Coimbra ou Porto estão entre os locais mais prováveis para a construção deste centro.   

 

Como ajudar a Fundação do Gil:- Tornar-se voluntário - Donativos (enquadráveis nos benefícios fiscais) para uma conta da Caixa Geral de Depósitos através do NIB nº 0035 0557 0003 4200 53079 - Campanha de Recolha de Tinteiros e Toners usados - Ligar para telefone 760 300 330, de valor acrescentado cedido pela AR Telecom. A chamada tem um custo total de 0,60 euros, revertendo 0,40 euros para a Fundação do Gil 

- Compra de diversos produtos, como CD’s, livros, t-shirt ou relógios

Foto: DR
 
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