Miguel Stanley, o dentista do bem-estar Imprimir e-mail
Escrito por Andreia Barros Ferreira   
16-Jul-2009
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É o autor do programa da TVI, Dr. Preciso de Ajuda, que o tornou conhecido no país inteiro. Jovem, bonito e bem sucedido, Miguel Stanley, dentista, diz que o sucesso que tem actualmente é resultado de um trabalho intenso, pois só "recebemos o que damos". Um médico zen, que defende que a medicina dentária deve andar de braço dado com o bem-estar físico e psicológico.

 

 

 

 

 

Dr. Miguel Stanley, comecemos pelo princípio, como é que se tornou médico dentista?

Tornei-me médico dentista por uma paixão à medicina e por uma série de coincidências. Amaior das quais teve a ver com o facto de a última faculdade a aceitar inscrições depois do Verão ter sido a que é hoje a Escola Superior de Saúde Egas Moniz. Entrei com a intenção de depois pedir transferência para uma Universidade Estatal, para um curso de Medicina, mas na altura fiz amigos, gostei e percebi que a medicina dentária é muito interessante.

Atraiu-o o facto de a medicina dentária tratar da estética e da beleza?

Quando estudamos medicina dentária, aprendemos a tratar dente a dente. Não percebemos a verdadeira magnitude de uma reabilitação oral completa. Os meus estudos posteriores em implantologia, estética dentária, próteses fixas, etc., ajudaram-me a perceber que a verdadeira arte da medicina dentária é quando a ciência se conjuga com a estética. Devolver o sorriso a alguém é realmente muito gratificante.

É tornar também as pessoas mais felizes.

É! Um dos factores essenciais para isso é fazê-lo num curto espaço de tempo, pois um dos males na medicina tradicional é nunca se ver a luz ao fundo do túnel. Uma clínica pequenina com um médico dentista, uma ou duas cadeiras, dificilmente consegue tratar uma boca inteira num curto espaço de tempo. Na minha clínica tenho uma equipa muito bem formada: 15 médicos dentistas, três higienistas e um laboratório que trabalha em exclusivo connosco. Conseguimos tratar casos mesmo muito complexos em apenas três, quatro vindas à clínica. Amudança rápida, o impacto, não é apenas visual, mas psicológico.

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Já trabalhava há um par de anos quando começou a fazer na TVI o Dr. Preciso de Ajuda. Nessa altura o que é que o atraiu no programa? O mediatismo?

m_stanley2.jpgNão! Aliás, eu fujo do mediatismo. Dou entrevistas apenas no âmbito profissional. Evito falar sobre a minha vida pessoal, porque acho que não é importante. Achei que havia uma enorme lacuna entre aquilo que os dentistas podiam fazer, aquilo que a ciência tinha disponível e aquilo que o público sabia que os médicos dentistas podiam fazer. Essa lacuna estava a irritar-me um bocadinho.

Pensei no programa, e numa viagem que fiz a Las Vegas, em 2005, conheci a equipa do formato norte-americano. Percebi como é que eles faziam. E depois passei um ano e meio a fazer investigação: fui estudar o formato inglês, brasileiro, italiano; fiz o meu trabalho de casa. Quando o Dr. José Eduardo Moniz viu que eu tinha este projecto preparado, telefonou-me pessoalmente e em menos de 48 horas tínhamos o aval para avançarmos.

E correu bem.

Sim, era uma coisa que interessava à TVI, e o que é certo é que três anos depois foi o programa mais visto da televisão portuguesa daquela altura. Tivemos uma audiência de quase dois milhões de pessoas assíduas. E de todos os programas que a TVI alguma vez produziu, e já lá vão 15 anos, este foi o programa que recebeu mais cartas, cerca de 80 mil, 95 por cento das quais à procura de tratamentos dentários, que continua a ser uma das coisas mais necessárias.

E também mais deficientes.

Porque é caro! Mas a minha próxima batalha é instaurar a qualidade da medicina dentária em Portugal.

Não há qualidade?

Acho que há má medicina dentária em Portugal. Quando é boa é das melhores do mundo, quando é má, é péssima. Como é em qualquer lugar, suponho.

Porquê, não há formação?

Há preguiça por parte de muita gente que opera, há uma parte da classe que abusa da confiança que lhe é depositada. Tenta poupar nos materiais e no tempo; há certos conhecimentos técnicos que precisam de tempo. Eu estou a generalizar, mas hoje em dia, graças um pouco à projecção que o meu programa me deu, já não sou dentista de Lisboa, os meus pacientes vêm de todo o país. Sou um bocadinho o barómetro daquilo que se faz em Portugal em termos de medicina dentária. Acho que não deveria ser necessário um paciente vir a Lisboa para ser tratado, porque há bons dentistas no Porto, em Aveiro, no Algarve… Mas para se fazer medicina dentária tem que haver uma conjugação de dezenas de factores: educação, bons materiais, tempo, uma boa clínica, boa prática, e nem toda a gente pode ter a associação disto tudo.

Disse numa entrevista que metade do mundo anda perdido, que as pessoas vivem a vida a correr. Qual é o segredo para não se viver assim: ter dinheiro, uma vida estável e ser bonito?

m_stanley3.jpgNós recebemos tudo o que damos. Se hoje em dia tenho uma vida privilegiada é porque dei. Entreguei horas da minha vida a estudar, a trabalhar, não pedi ajuda a ninguém e acreditei sempre, sempre, sempre na força do trabalho. Hoje em dia tenho uma equipa que me ajuda a estar tranquilo. Aliás, o sucesso que tenho é exclusivamente responsabilidade da minha equipa.

Vai abrir agora uma nova clínica com Spa.

Estamos a abrir um novo conceito de medicina do bem-estar, que ultrapassa as fronteiras da medicina dentária. Vai ser um projecto único no mundo, podem visitá-la em www.whitelifedesign.com. Vamos ter uma área dedicada a profissionais de várias vertentes: medicina dentária, cirurgia plástica, dermatologia, dermo-estética, nutrição, cabeleireiro, maquilhagem, consultadoria de imagem. E o conceito inovador é cuidar do bem-estar da pessoa, seja em que área for. Quanto mais saudável se for, mais se vive e em melhores condições. Vivemos num mundo onde a forma vale mais do que a substância, e nós queremos tratar essa substância através da medicina do bem-estar, para que a pessoa possa ter mais auto-confiança. Se a pessoa tiver mais auto-confiança, consegue mais na vida.

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Tem outros projectos para o futuro?

Neste momento tenho um projecto relacionado com o Banco Alimentar, através do qual vou ajudar no programa de tratamento dentário gratuito a crianças desfavorecidas e a lares desfavorecidos. Aminha clínica, a White, tem o privilégio de estar associada a este projecto de ajuda humanitária e talvez nos próximos cinco anos tenhamos um projecto global de ajuda humanitária a crianças desfavorecidas. Acho que como seres humanos não podemos parar nunca. Temos que estar sempre a olhar para o futuro, a colocar o nosso olhar nas crianças, nos jovens e naqueles que querem realmente trabalhar.

É um homem totalmente feliz?

Não! Se eu for totalmente feliz, paro. Eu não quero parar tenho sempre fome de alguma coisa. É por isso que sou empreendedor e não somente empresário.

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Perfil

Miguel Stanley, dentista da nova geração quase por acaso, é filho de pai português e mãe inglesa. Talvez por isso o sotaque "estrangeiro" seja evidente e as expressões em inglês surjam com naturalidade a meio de uma conversa. É que até aos 14 anos essa era a única língua que dominava.

Apesar de ter uma clínica especializada em medicina dentária em Lisboa e sucesso no Dr. Preciso de Ajuda, da TVI, Miguel Stanley não baixou os braços e decidiu imple-mentar em Portugal um novo conceito de clínica que alia medicina dentária, cirurgia estética, Spa e até um espaço dedicado a alimentos saudáveis, entre outros.

Para além de médico dentista, Miguel Stanley já foi modelo e tem um projecto na área da música www. myspace.com/miguelstanley.

 
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