Ver para crer Imprimir e-mail
Escrito por José Matos   
06-Jan-2009

 

fomalhaut.jpgFoi uma espécie de presente de Natal antecipado. No meio de um enorme disco de poeiras há um pontinho brilhante. Chama-se Fomalhaut e é uma estrela tapada para que a sua luz não interfira com a observação do disco. Na verdade, o planeta não passa de um ponto apagado, mas é o primeiro planeta extra-solar fotografado na luz visível. Podemos assim poisar os nossos olhos num planeta nunca antes visto, como comentava o descobridor deste planeta fotogénico.

 

Baptizado oficialmente como Fomalhaut b, o pequeno ponto demora 872 anos a dar uma volta à estrela. Não admira. A distância que o separa de Fomalhaut é dez vezes superior à distância de Saturno ao Sol. Tudo indica que se trata de um planeta jovem, talvez com 100 milhões de anos. A sua presença no disco de Fomalhaut já tinha sido prevista em 2005. Na altura, o seu descobridor (Paul Kalas, da Universidade da Califórnia) tinha notado perturbações no disco de poeiras provavelmente provocadas por algum planeta existente no disco. Em Novembro, foi anunciada a sua descoberta pelo velho Hubble, que continua à volta da Terra. Calcula-se que a sua massa seja no máximo três vezes superior à de Júpiter – se fosse superior provocaria uma perturbação gravitacional no disco de Fomalhaut suficiente para o destruir. Contudo, o planeta parece ser demasiado brilhante para isso ser verdade, pelo que o seu brilho fica por explicar. A verdade é uma, sem ele provavelmente o planeta nunca teria sido detectado. É que nunca foi fácil fotografar um planeta extra-solar, já que o brilho das estrelas oculta qualquer coisa em redor. É certo que são conhecidos mais de 300 planetas fora do sistema solar à volta de outras estrelas, mas dificilmente podem ser fotografadas. Os astrónomos costumam identificar os planetas extra-solares de forma indirecta ao inferir a sua presença por meio da influência gravitacional que o corpo exerce sobre a sua estrela. É como ouvir vozes na casa do lado e nunca ver os nossos vizinhos. Agora o vizinho apareceu à janela.

fomalhaut2.jpg

 

Mas não é primeira vez que se tenta apanhar um destes mundos. Em 2004, uma equipa chefiada por Gael Chauvin fotografou um objecto estranho à volta de uma anã castanha com nome de código 2MASSW J1207334-393254. Refira-se que uma anã castanha é uma estrela de baixa massa que não consegue fazer fusão nuclear para produzir energia. O objecto detectado pela equipa de Chauvin é um corpo com massa planetária, mas provavelmente nasceu como uma estrela e não como um planeta. Isso significa que o seu verdadeiro estatuto é polémico. Se o considerarmos um planeta temos que admitir que não nasceu como um vulgar planeta, se o considerarmos uma estrela temos que admitir que não tem massa para isso. Portanto, é uma descoberta que ainda não conta para este campeonato, embora um dia a situação possa mudar. Basta arranjarmos uma definição mais lata para planetas, o que não será fácil dada a multiplicidade de situações. No caso de Fomalhaut, temos de facto um objecto que podemos considerar planeta, pois provavelmente nasceu num disco de gás e poeira à volta da estrela como qualquer planeta vulgar, e tem massa planetária. Portanto, podemos ver e crer. Está ali um planeta.

 
< Artigo anterior   Artigo seguinte >

Edição Online Verão

 
Capa Verão 2010

BONS Vícius Online

Revista Bons Vícius Online

  Primavera '10

Revista Bons Vícius Online

  Inverno '09

Revista Bons Vícius Online

  Outono '09

Revista Bons Vícius Online

  Verão '09

  necessário adobe flash player
 - obter aqui -

Agenda Bons Vicius

Agosto 2010
DomSegTerQuaQuiSexSáb
010203
04050607080910
11121314151617
18192021222324
25262728293031